Eu olho para o horário tentando de alguma forma costurar um pedaço de ignorância, como se na verdade eu passasse toda minha vida exilado do tempo comum de todos, em vão eu tinha aprendido a ler quando na verdade eu procurava apenas cores vibrantes em um mundo aparentemente encharcado de suas fusões e tonalidades.
Com algum esforço estou escrevendo como se andasse para trás no tempo, quem sabe até o dia anterior quando finalmente me deitei para acreditar que dormiria de um descanso prometido e merecido depois do esquadro do sol.
Chove hoje, então não poderei culpar a chuva que implorei no dia anterior, meu sono se torna meu advogado contra tudo o que intensifica meus passos rumo ao delírio.
Alguém poderia manifestar misericórdia, uma misericórdia tão falsa e maliciosa quanto a minha escrita?
Talvez apenas eu mesmo possa ser misericordioso na tentativa vã de encontrar sentido quando na verdade, apenas sei que estou andando pelo tempo sem contudo toca-lo, e esta é a única forma cifrada que aqueles que usam a palavra encontram como forma de estar no mundo se, no entanto, absorve-lo de seu ritmo.
Pela escrita finalmente encontro-me aparte de tudo, movimentando-me como um planeta independente do astro maior, fujo ao menos do meu temor de esquecer-me que ainda posso isso.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
A carta
Irei queimar estes escritos de areia
Antes que a porta seja arrombada
E eu seja levado diante de um sinédrio
Repleto de todos os sábios para me confessar
Estou olhando o caminhar das estrelas
Apontando o sol entre as horas abertas
Irei queimar estes escritos de areias
E as respostas serão desertas
Ainda elegerão outro papa
Como nas eras apostólicas
Faremos vigílias e sacramentos
Em favor dos pecados veniais
Nas portas receberemos o estranho viajante
E suas notícias de ultima hora
Começaremos um ano bissexto
Novamente no fim do carnaval
As manchetes não são animadoras
Mas otimismo nunca foi mortal
Eu quero todo bem, eu quero todo mal
Para poder me elevar
Nas meditações de antimatéria
E na criptografia mental
Eu quero todo bem, eu quero todo mal
Em favor dos pecados veniais
Enquanto ainda saímos do mundo animal
Rumo aos universos celestiais
Quem sabe eu possa economizar palavras
Para parecermos mais cordiais
Estamos no dia 8, do mês de Janeiro
E ainda tudo meio parado
Não me recuperei ainda do natal
E já estou todo ocupado
Este ano promete ser melhor
Se piorar está tudo acabado
Tenho até medo da minha velhice
Quando não for mais condecorado
O grande pássaro traz uma mensagem nova
Que ecoou nos sistemas solares
Aliás teremos uma nova luz
Um novo ser espiritual
Ainda tenho fé neste ano bissexto
E estas palavras são temporais
Para terminar recebi uma carta
Com sentimentos em tom pastel
Recitei seu conteúdo no vento forte
Enquanto caia a chuva torrencial
Imortais neolíticos recém chegados
Eu quero todo bem, e todo mal
Antes que a porta seja arrombada
E eu seja levado diante de um sinédrio
Repleto de todos os sábios para me confessar
Estou olhando o caminhar das estrelas
Apontando o sol entre as horas abertas
Irei queimar estes escritos de areias
E as respostas serão desertas
Ainda elegerão outro papa
Como nas eras apostólicas
Faremos vigílias e sacramentos
Em favor dos pecados veniais
Nas portas receberemos o estranho viajante
E suas notícias de ultima hora
Começaremos um ano bissexto
Novamente no fim do carnaval
As manchetes não são animadoras
Mas otimismo nunca foi mortal
Eu quero todo bem, eu quero todo mal
Para poder me elevar
Nas meditações de antimatéria
E na criptografia mental
Eu quero todo bem, eu quero todo mal
Em favor dos pecados veniais
Enquanto ainda saímos do mundo animal
Rumo aos universos celestiais
Quem sabe eu possa economizar palavras
Para parecermos mais cordiais
Estamos no dia 8, do mês de Janeiro
E ainda tudo meio parado
Não me recuperei ainda do natal
E já estou todo ocupado
Este ano promete ser melhor
Se piorar está tudo acabado
Tenho até medo da minha velhice
Quando não for mais condecorado
O grande pássaro traz uma mensagem nova
Que ecoou nos sistemas solares
Aliás teremos uma nova luz
Um novo ser espiritual
Ainda tenho fé neste ano bissexto
E estas palavras são temporais
Para terminar recebi uma carta
Com sentimentos em tom pastel
Recitei seu conteúdo no vento forte
Enquanto caia a chuva torrencial
Imortais neolíticos recém chegados
Eu quero todo bem, e todo mal
Melodia das nações
Temos uma surpesa
Vamos armá-lo pra matar
A noite é uma criança acesa
Você vai se encontrar
Vamos negociar um preço
E com prazer vamos pagar
Com acordos milionários
Você vai se encantar
Soaram a trombeta
Um dos selos foi quebrado
Do horizonte vem um anjo
Que não foi anunciado
Detonamos uma bomba
Não foi culpa de ninguém
Temos um discurso pronto
E depois deste mais de cem
Assista a televisão
Então iremos explicar
Sejamos todos patriotas
Se uma guerra começar
Os oráculos da China
Não previram o holocausto
A morte esconde sua face
Nosso Deus está exausto
Não fale de Deus em vão
Nunca nos diga não
Os governos deste mundo
Tem sua vida nas mãos
Procure rezar com fé
Temos que ter união
Todos serão alistados
Somos mais de um milhão
Manchamos suas cores
Derrubamos suas torres
Foram sangue necessário
Mas virão outros horrores
Temos um futuro tão certo
Iremos juntos prosperar
É importante a economia
E os impostos a pagar
Conhecemos seus amores
Conhecemos suas dores
Iremos estender a mãos
Nós iremos te salvar
Os pilares dos céus
Todos foram abalados
Ninguém conhece o grande irmão
Mas todos são vigiados
Faça sua contribuição
Mate todos que puder
Para conter a população
Na ponta de uma colher
Tudo tem uma boa razão
Possuímos a verdade
Pelo bem da humanidade
Muitos vão morrer em vão
A vida eterna
Nunca esteve tão incerta
Ninguém tem pra onde ir
Mas a porta está aberta
Vamos armá-lo pra matar
A noite é uma criança acesa
Você vai se encontrar
Vamos negociar um preço
E com prazer vamos pagar
Com acordos milionários
Você vai se encantar
Soaram a trombeta
Um dos selos foi quebrado
Do horizonte vem um anjo
Que não foi anunciado
Detonamos uma bomba
Não foi culpa de ninguém
Temos um discurso pronto
E depois deste mais de cem
Assista a televisão
Então iremos explicar
Sejamos todos patriotas
Se uma guerra começar
Os oráculos da China
Não previram o holocausto
A morte esconde sua face
Nosso Deus está exausto
Não fale de Deus em vão
Nunca nos diga não
Os governos deste mundo
Tem sua vida nas mãos
Procure rezar com fé
Temos que ter união
Todos serão alistados
Somos mais de um milhão
Manchamos suas cores
Derrubamos suas torres
Foram sangue necessário
Mas virão outros horrores
Temos um futuro tão certo
Iremos juntos prosperar
É importante a economia
E os impostos a pagar
Conhecemos seus amores
Conhecemos suas dores
Iremos estender a mãos
Nós iremos te salvar
Os pilares dos céus
Todos foram abalados
Ninguém conhece o grande irmão
Mas todos são vigiados
Faça sua contribuição
Mate todos que puder
Para conter a população
Na ponta de uma colher
Tudo tem uma boa razão
Possuímos a verdade
Pelo bem da humanidade
Muitos vão morrer em vão
A vida eterna
Nunca esteve tão incerta
Ninguém tem pra onde ir
Mas a porta está aberta
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
Meus confetes de carnaval
Com certeza você voltará para me buscar
E não me abandonar fantasiado no meio da luz
Você irá voltar antes da lua derreter
Antes do sol esfriar
Olhei com atenção decorada de músicas
As mascaras dos foliões no grande salão
Enquanto procurava vagas de amor em cada semi rosto
Notei que haviam sombras naquele lugar
Você irá voltar com misericórdia na boca para me ver
Quando eu mesmo não puder te acompanhar
Você tentará dizer Adeus de uma forma alegre
Depois que você se for, tudo se esfumacará
Todo salão contentou-se de um silêncio tímido
Aguardando a próxima música tocar
Procurei janelas de ar urbano como consolo
Mas apenas encontrava quadros das estações anuais
Quando você voltar as portas estarão fechadas
Trancadas com tiras de tranças das roupas desfiadas
Um som abafado será imposto em todos os cantos
Uma marcha tocada bem devagar
No salão havia uma escada e um corrimão
Que dava para um imenso altar
Havia uma capela e imagens de santos
Para simbolizar o fim do carnaval
E não me abandonar fantasiado no meio da luz
Você irá voltar antes da lua derreter
Antes do sol esfriar
Olhei com atenção decorada de músicas
As mascaras dos foliões no grande salão
Enquanto procurava vagas de amor em cada semi rosto
Notei que haviam sombras naquele lugar
Você irá voltar com misericórdia na boca para me ver
Quando eu mesmo não puder te acompanhar
Você tentará dizer Adeus de uma forma alegre
Depois que você se for, tudo se esfumacará
Todo salão contentou-se de um silêncio tímido
Aguardando a próxima música tocar
Procurei janelas de ar urbano como consolo
Mas apenas encontrava quadros das estações anuais
Quando você voltar as portas estarão fechadas
Trancadas com tiras de tranças das roupas desfiadas
Um som abafado será imposto em todos os cantos
Uma marcha tocada bem devagar
No salão havia uma escada e um corrimão
Que dava para um imenso altar
Havia uma capela e imagens de santos
Para simbolizar o fim do carnaval
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
Os postulados da geração do agora
É porque eu bebo demais
É porque eu fumo
É porque eu durmo fora da hora
É porque eu tento a paz
Você nunca está errado, o resto do mundo está
Você é tão esperto, ninguém te passa pra trás
Você é tão bom, você é nota 10
Depois de você todos são iguais
É porque eu não me abro
É porque eu estou disperso
É porque eu sou esquecido
É porque eu não escolho um lado
É porque eu estou errado
É porque eu estou certo
É porque eu tento ajudar
É porque eu estou calado
Suas palavras são equiláteras
Tão perfeitas que dispensam o reino dos céus
O mundo é tão claro pra você, e caótico demais
Você acreditou em um Deus e agora não precisa mais
É porque eu discordei de você
É porque eu não estive perto
É porque eu sou muito calmo
É porque eu falo muito baixo
É porque eu tenho um problema de cabeça
É porque eu sou anormal
É porque eu não ouvi você chamar
É porque eu não achei algo
Nada se compara a sua altura
Tudo mais é insignificante
Fora do seu juízo e entendimento
Todas as coisas são ilegais
Você é o ápice do ser humano
Depois de você nunca haverá outro igual
A humanidade não encontrou seu grande mestre
Porque você é humilde demais
domingo, 13 de dezembro de 2015
Retinas atemporais
Ouço com amor uma música antiga
Calculando um pouco mais o fim dos meus dias
Grossa e entorpecida mania de nascer envelhecido
Natural e humano quanto as estátuas de resina
Sou a forma cibernética dos antigos Incas
Trazendo muitas pedras coloridas
Tenho a altura da queda íntima
Sou deus regente das veias cardíacas
Dilato os horizontes nas pupilas
Todas as minhas palavras são lapidadas
Tenho encontrado os restos sepultados das outras línguas
Nas linhas dos trópicos e do Equador
Enquanto mudava a passagem das estações
Ouvi composições pelo novo mundo criadas
Eu sou a linha desenhada que limita o círculo
Sou o ponto central e a formula da sua raiz
Oriento os navegantes nas madrugadas da bussola
Vou ao fundo do mar reclamar o que perdi
Desci do alto pedestal e retirei minhas asas de anjo
Prometi rever os vizinhos siderais
Consegui contar duas ou três gerações sobreviventes
Que se anteciparam ao ver a grande onda nas encostas
Fiquei espantado ao ver construções tão desnecessárias
E receoso do abuso sobre os mais finos metais
Eu sou o diamante que resistiu ao tempo
Sem me esquecer da minha origem mineral
O centro terrestre é puro e líquido
Vibra e soa como hinos corais
Adeus estranhos, até nunca mais
Novamente passado eu vou me tornar
sábado, 12 de dezembro de 2015
As salinas e o mamute
Eu troquei meu relógio de braço
Cruzando os dedos pra atravessar a travessa
Calmo e branco como um giz jogado em águas
Tirei do bolso alguma coragem trocada
Olhei o sol, pensei na vida apesar de nada
Como uma dispersão costurada
Tropecei na calçada
Como forma de espontaneidade plástica
Olhei de novo o sol, orbitando outros sois incógnitos
A megera sorte dos que não levam sorte em nada
Cobra uma dose de fé a preços cavalares
Pagas a prestação de conversa fiada
Tal como as salinas das lágrimas santas
Meu coração outrora doce agora é como o sal
Usado para temperar carnes nobres
Na promoção de beira de estrada
Conforme tudo foi escrito
Do escrito não se fez nada
Sentei no banco olhando as pombas procurando o que comer
Passavam estranhos que até podiam ser meus parentes
Me pediram moedas, me pediram informações, me pregaram a palavra
Sem nem se quer perguntarem o que eu estava a fazer
Senti vontade de correr dali sem olhar
Correr como se não tivesse para onde ir
Olhando pra mim não tenho muito gosto do que vejo
Talvez gosto de mais pro que a realidade também me tornou
Eu respiro muito dos conselhos que dou
Eu como todas as cores que posso dentro do que posso ver
Existem comerciais que realmente sinto saudade
Mas nada que valha muito o real valor que eu dou
A vida me golpeou no peito
Como o coice de um mamute enfurecido
Revelei-me o próprio contrário em tão pouco tempo
Muito pouco do que eu era restou
Posso andar para frente agora indo pra trás
Nas voltas do ser que o tempo levou.
WallMushu
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