sábado, 2 de julho de 2016

O papel nos olhos

As vezes eu não gsto de ler, me vem uma angústia de colocar algo que eu sinto no lugar onde ele já está, ele vem de fora e estranhamente já é familiar e identico.
Eu leio tentando tomar distância, pronto para correr para o azul escuro do silêncio e do canto das baleias, não se pode escreve-los então neles eu sinto paz e naturidade.
Se tento escrever eu me confundo e perco meu endereço, se tento falar acabo gaguejando, nem mesmo em segredo consigo mandar sinais, o secreto me envolve de uma forma torturante para nunca ser revelado,  quando eu morrer, na minha morte ele estará, mas passará secreto ainda sim, camuflado no teatro de meu sono, eu estarei escondido acompanhando tudo, quase posso rir, só não o faço por respeito aos presentes.
Eu tentei em vão escrever, mas não consigo, e agora ler me transpassa, estou eu me tornando tênue e fácil de se desfazer como o ar?
Onde qualquer sopro me transporta a outro e então sou eu outro quase semelhante?
Se assim o for me negarei convictamente, quero ser um ar ainda legível, eu desperto tomando este fôlego, quero escreve-lo em todos os seus pontos.
Escrever ainda é meu respirar, tenho trazido para mim um ar artificial, sem escrita para viver.
A letra ainda corre ousada dentro de mim.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Isabela viverá 120 anos

Tentaram tirar-lhe a vida
Deus não deixou
Abriram as portas do inferno
O inferno ela abençoou
Tentaram causar-lhe dores e torturas
Pela virtude ela as abraçou

Teus Odus falaram dos seus ancestrais
As constelações previram teu nascimento
Teu nome foi criado nas matas
Doce encanto dos riachos astrais
Doce ouro puro das joias do Olimpo
Bela sempre bela princesa das lendas navais

Atentaram contra sua fé
Ela teve a proteção dos elementais
Pelo medo ocultaram sua luz
Ela foi socorrida por amigos espirituais
Tentaram outras vezes ainda
Mas o seu corpo era fechado demais

O opelê mostrou sua sina santa
Sagrada sinastria das Iabás
Teu corpo de segredo sacro
Inviolado intacto será
Se ergueres tua mão sobre o céu e a terra
Tuas vontades Deus fará

Quando te via quase sem forças
Prometi minha vida aos Orixás
Uma troca justa e honesta
Eu iria cantando em seu lugar
Nem um, nem outro partirá
Isabela 120 anos terá

Perfumado bálsamo de louvor e júbilo
Pérola encantada dos encantados
Os teus dias são escritos dourados
No livro da vida todos registrados
Teus caminhos serão mares sempre abertos
Da tua boca sairá mel e açúcar mascavo
Muitos outros partiram a séculos
Para garantir o fôlego do teu ar
Eleva teus olhos ao céu
Nada te derrubará
Isabela do céu e da terra
120 anos terá

domingo, 8 de maio de 2016

Hieróstofos

Como as cúbicas cores do cubo que se formam
Na esgrimista alquímica matemática algébrica
Eu estalo em óleo as pinceladas áureas de quimera
Entre estrelas e anãs brancas celestiais

No momento do fim haverá um recomeço
E haverá um convite a um terço da vida a se inclinar
Santidade e virtude estarão confrontadas com o desejo
Um passado doce e triste irá cantar
Poderemos dizer adeus a tudo
E ha uma fração do tempo eternamente nos enterrar

Pelas gramas milimétricas das tuas expressões
Eu posso prever quantas emoções irá sentir
Na dialética humana de todas as paixões
Eu posso traçar a perpendicular secreta a seguir

Nasci do fundo da Terra entre os gritos mais infernais
Dentre as portas do grande fim, fiz um caminho mais inicial
Decorrendo contra o grande espaço criado
Criei uma nova gravidade muito mais mortal
Mortal como as grandes verdades de fina crisálida
Que todo ser humano achará vital

No teu relógio acharás uma pequena mola
Que atrasará todo teu tempo de metal
Teus calendários se rasgarão como seda
Em um único, finito e final momento

Estive eterno entre os carnavais de eras medievais
Paganistas, cristãos, escritos dentro dos sinédrios
Os sinos tocavam entre a neve dos invernos da aurora boreal
E cantavam a hierarquia científica dos pardais
Comi tudo da criação, tudo é demais
Uma nova fécula será imortal

Rodagem

O que eu trago de repente
Para você é um presente
Envolto e costurado
Na palma das minhas mãos

Pelo nome que eu te chamo
Que não é do teu batismo
Que eu mesmo encanto e cismo
Não reflete o teu sermão

Palavra de pedra que ecoa
Pelas encostas rochosas nas árvores frondosas
Arrepiando a espinha em lições saborosas
A mão que estala no corpo vão

Pelas mandingas feiticeiras
Nas entrelinhas tão faceiras
Eu vejo meu amanhã adiar
Sem mesmo me acordar

Pelo sol entre as peneiras

terça-feira, 15 de março de 2016

Pequenos gestos

Ei sei que eu vou te amar como eu puder
Te olhando, te secando quando ninguém vier
Eu sei, que quem sabe, quando souber
Ninguém vai me ver mais, somente se eu quiser

É que eu sou tão egoísta
Eu te pinto de mil cores, eu te dou todo alfabeto
Eu escondo tuas ofensas
Pra não sofrer

Ai meu Deus
E se a pior pessoa da cidade salvasse a minha vida
Eu já não tenho mais idade pra ver isso acontecer
E se eu descobrisse no meu algoz, o meu salvador

Não vamos nos perder nestes assuntos tão pequenos
Que não vale a pena remoer
Nós temos todo tempo do mundo pra entender
O que se foi, já se foi, mas foi bom de viver

O conhecido invisível deixou as pistas do seu mais novo testamento
Como herança deixou a vida, a eternidade, e a centelha de um segundo
Onde estão guardados o melhor de seu ser
E a sua assinatura no ar como prova do verbo haver

Como vai você? Que bom te rever
A tantas eras que não passo neste beco
Tudo mudou, mas nem tudo é mais real
São coisas do tempo, que só o tempo vai responder.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Elióveli

A vida acabou para mim
Um início e fim de cortiça
A dor de cabeça sem fim
Ferina e mortal como o respeito
A pressão magoada nas temporas
Levemente a dormência da nuca
A vida acabou para mim
Um início e fim de cortiça

A vida acabou para mim
Como as grades da jaula de ouro
As portas escancaradas aberta ao voo
O pássaro fugirá sem dar adeus
O mundo se levantará como um avatar
Sem nem notar que faltei
Serei por fim algo que passou
E sem mesmo ter terminado eu passei

Como o eco da nota
Quando parou de tocar
Aqui estou

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A cigana e o estranho

Senhor chegue mais perto
Vou contar-te um segredo
Eu posso ver presente e passado
Bem na palma da sua mão

Eu não estou mentindo

Mocinha eu bem sei
De toda a ciência antiga
Mas acho que você não vai gostar
Do que irá encontrar

Mas se quiser pode tentar

Me dê a sua mão
Vamos ver o seu destino
Eu vejo um passado tão distante
Quase quanto a criação

Isso nunca aconteceu antes

Eu tenho mais idade
Que a idade deste mundo
Eu sou o patriarca que atravessa
Toda essa geração

Da humanidade desde Adão

Eu vejo seu futuro
Sem um fim ou conclusão
Não posso acreditar no que estou vendo
É alucinação

Não existe ser universal

O fim e o começo
Bem na palma dessa mão
Eu venho transcendendo a existência
Desde antes do universo

Eu não tenho impressão digital

Isso não é possível
Bem eu devo estar confusa
As linhas e as fendas
Levam traços de uma herança oriental

O que está acontecendo?

As lindas e as fendas
São a origem mineral
As linhas mais suaves são segredos
Da matriz original

Que eu mesmo projetei

Todos tem um consenso
Em um Deus que é eterno
Mas nunca houve provas
De um ser humano que fosse imortal

Por favor fale a verdade

Eu ensinei a escrita
Bem como a astronomia
Eu enterrei segredos da magia
Na era medieval

Se quiser pode ver

Senhor não me machuque
Não me faça nenhum mal
Eu sou uma cigana quiromante
Apenas ganhando o pão

Eu nem sei o que dizer

Este coração
É a mais pura medicina
Você nunca me viu
E nunca te faria nenhum mal

Agora vá viver