Aboé Shigú
A vida me deu um gato
O dia com horas contadas, caídas
Nas areias brancas da minha ampulheta
Do mundo ganhei uma alma
Inocente da água e do raio
Da luz dos cometas e das constelações
Outras lágrimas caídas
Com tuas palavras
Me deram outras sete vidas
A vida me deu um gato
Minha alma de algum dia
Através das noites de uma semana
Através das cordas da minha guitarra
Através do meu grito e do meu silêncio
A vida me deu um susto, e depois um gato
E eu como estátua com os olhos arregalados
A Vitória-Régia louvando a lua
E o sol secando o suor dos engraxates
A vida me deu um gato no meio de um eclipse
Não era noite nem dia no meu estado
Entre todos comungada uma alegria
Um presente gato
A vida me deu um gato
E as relíquias desenterradas
A vida me deu um nirvana
E duas árvores gêmeas
Onde fui me deitar
WallMushu
segunda-feira, 5 de março de 2012
domingo, 4 de março de 2012
Alcére
Amor do mundo
Sorrindo em palavras de Alfa e Ômega
Tão comum como o dia
Minha vida prevista em profecias de cinzas
A minha pobre vida
Nossas pobres vidas
Gastas dia a dia com o que não queremos
Nosso futuro em banho-maria
Tão comum como dia
A felicidade em pérolas e água benta
Ao meu batismo
A todos que são um sonho
Ao muro das lamentações
Aos fantasmas dos natais passados
Àqueles que estão nascendo
Para ver o mundo, amaciados em algodão
Aos olhos dos gatos, aos gatos do Egito
Ais grandes reis pobres
Aos dentes de leão
Ao reflexo dos diamantes
Aos gargalos da produção
Vede-me suspenso em mantras
Imerso em mim, na metade da lua cheia
Eis que desejo, e então torna-se o é
Louvo como forma de adorar
E então emancipo-me aos céus
Entre Principados e Potestades
Adormece leve corpo de terra
E então chegarei em mensagem tímida
Eis que o que escrevo é sonoro e tem forma
Meus olhos beijam aliança e holocausto
Eis que é um milagre imediato
A correr entre as veias como eletricidade
E calor de uma emoção inesperada
É um novo natal dentro da páscoa
Vede-me decorado de sinos
Respirando as quatro estações
Vede-me nas tonturas de um Oásis
Num deserto de sal
Podem-me tirar as forças
Mas eu terei um nome
A gritar a piracema do que eu sou
Inquieta costura dos tecidos antigos
A se rebelar em trombetas
E confissões aos pés de uma escada
Dobro meus joelhos pois amo
Pois jogaram-me as águas da nascente
Pois lavaram meus pés
E pentearam meus cabelos
Deram às minhas barbas
O nome da minha idade
Contaram minhas lagrimas
E me deram uma infância
Plantaram uma árvore em meu nome
E a ela deram o nome de Presente
Me esqueceram por um dia
E então fui ver o mar
WallMushu
Sorrindo em palavras de Alfa e Ômega
Tão comum como o dia
Minha vida prevista em profecias de cinzas
A minha pobre vida
Nossas pobres vidas
Gastas dia a dia com o que não queremos
Nosso futuro em banho-maria
Tão comum como dia
A felicidade em pérolas e água benta
Ao meu batismo
A todos que são um sonho
Ao muro das lamentações
Aos fantasmas dos natais passados
Àqueles que estão nascendo
Para ver o mundo, amaciados em algodão
Aos olhos dos gatos, aos gatos do Egito
Ais grandes reis pobres
Aos dentes de leão
Ao reflexo dos diamantes
Aos gargalos da produção
Vede-me suspenso em mantras
Imerso em mim, na metade da lua cheia
Eis que desejo, e então torna-se o é
Louvo como forma de adorar
E então emancipo-me aos céus
Entre Principados e Potestades
Adormece leve corpo de terra
E então chegarei em mensagem tímida
Eis que o que escrevo é sonoro e tem forma
Meus olhos beijam aliança e holocausto
Eis que é um milagre imediato
A correr entre as veias como eletricidade
E calor de uma emoção inesperada
É um novo natal dentro da páscoa
Vede-me decorado de sinos
Respirando as quatro estações
Vede-me nas tonturas de um Oásis
Num deserto de sal
Podem-me tirar as forças
Mas eu terei um nome
A gritar a piracema do que eu sou
Inquieta costura dos tecidos antigos
A se rebelar em trombetas
E confissões aos pés de uma escada
Dobro meus joelhos pois amo
Pois jogaram-me as águas da nascente
Pois lavaram meus pés
E pentearam meus cabelos
Deram às minhas barbas
O nome da minha idade
Contaram minhas lagrimas
E me deram uma infância
Plantaram uma árvore em meu nome
E a ela deram o nome de Presente
Me esqueceram por um dia
E então fui ver o mar
WallMushu
sexta-feira, 2 de março de 2012
O poeta pede palmas
O poeta pede palmas e luz
Como as flores na janalela
Pedem para que sejam ouvidas em seu perfume
Tocando o coração
Perfumes de lembranças e sonhos
Que ficaram na estação das crianças
O poeta pede palmas caladas e suspiros
Para o desfecho do mistério de sua escrita
Luz no palco, o poeta derrama lagrimas
Como cántaros na primavera das ruas
Derramando água no asfalto quente
Pede o poeta para sermos mais gente
O poeta pede o calor de um sol
O diamante da lua e os aneis de saturno
Para se adornar de universo e voar por entre as almas
Que quietas esperam desfecho e a revelação
Vez ou outra me virá um susto e uma pequena dor
Mas não serão meus exageros de viver?
Como sempre exageramos o mundo
E as vezes nos achamos tão pouco?
O poeta pede que caia a força
Que caiam os altos céus e apareçam os anjos
O poeta pede a ressurreição
O poeta pede o rosto de Deus
A mais antiga das jóias e o mais santo dos livros
O mais perfeito dos testamentos e o mais raro dos salmos
Deus desejava a Davi
O poeta deseja a Deus, ele deseja a paz
Mas ser poeta não é ser uma guerra?
Uma eterna luta, um duelo nunca decidido
Dois amigos descem pelos vales e andam sem se ver
No entanto eles se falam e sabem a cor de sua própria voz
O poeta pede os dialetos mortos para abrir o mar dos corações
Para que passem as romarias de suas cantigas
De suas histórias e de suas emoções
O poeta deseja ver lágrimas nos seus olhos
O poeta também deseja causar a sua dor
Sem algo que seja ruim
O poeta te deseja homem e mulher, na humanidade dormida
O poeta deseja o seu sentido de ser, para que então sejas sem o medo do sonho
Sem que a realidade engula uma voz de grito
Sem que haja um perdão para tudo isso
O poeta deseja o desfecho
Por favor, sejam quietos e honestos neste momentos
Que se relevem ousadas as verdades históricas de todos nós
Que todos então sejamos uma verdade unica de tudo
Que sejamos todos um só amor e uma só pessoa
Eis que os desfecho chega a temperatura de um nascimento
Eis que sois vós
Todos poetas
WallMushu
Como as flores na janalela
Pedem para que sejam ouvidas em seu perfume
Tocando o coração
Perfumes de lembranças e sonhos
Que ficaram na estação das crianças
O poeta pede palmas caladas e suspiros
Para o desfecho do mistério de sua escrita
Luz no palco, o poeta derrama lagrimas
Como cántaros na primavera das ruas
Derramando água no asfalto quente
Pede o poeta para sermos mais gente
O poeta pede o calor de um sol
O diamante da lua e os aneis de saturno
Para se adornar de universo e voar por entre as almas
Que quietas esperam desfecho e a revelação
Vez ou outra me virá um susto e uma pequena dor
Mas não serão meus exageros de viver?
Como sempre exageramos o mundo
E as vezes nos achamos tão pouco?
O poeta pede que caia a força
Que caiam os altos céus e apareçam os anjos
O poeta pede a ressurreição
O poeta pede o rosto de Deus
A mais antiga das jóias e o mais santo dos livros
O mais perfeito dos testamentos e o mais raro dos salmos
Deus desejava a Davi
O poeta deseja a Deus, ele deseja a paz
Mas ser poeta não é ser uma guerra?
Uma eterna luta, um duelo nunca decidido
Dois amigos descem pelos vales e andam sem se ver
No entanto eles se falam e sabem a cor de sua própria voz
O poeta pede os dialetos mortos para abrir o mar dos corações
Para que passem as romarias de suas cantigas
De suas histórias e de suas emoções
O poeta deseja ver lágrimas nos seus olhos
O poeta também deseja causar a sua dor
Sem algo que seja ruim
O poeta te deseja homem e mulher, na humanidade dormida
O poeta deseja o seu sentido de ser, para que então sejas sem o medo do sonho
Sem que a realidade engula uma voz de grito
Sem que haja um perdão para tudo isso
O poeta deseja o desfecho
Por favor, sejam quietos e honestos neste momentos
Que se relevem ousadas as verdades históricas de todos nós
Que todos então sejamos uma verdade unica de tudo
Que sejamos todos um só amor e uma só pessoa
Eis que os desfecho chega a temperatura de um nascimento
Eis que sois vós
Todos poetas
WallMushu
quinta-feira, 1 de março de 2012
Onde não sei
De onde vem este vento?
A me abrir as portas celestiais
De madeiras de cheiro
Talvez fosseo abraço do meu fim
No desabrochar de um apocalipse
Não sei
Sonhei que haviam salas desertas
Em um prédio velho
Dos meus dramas em sonetos
Hoje senti dores
Entre a hermeneutica e o latim
Caladas ao fim da ceia
Que me haverá no amanhã?
Este medo me corróia a veias
Até os meus menores becos
Tudo o que não sei
Corre no meu sangue
Como feitiçaria nas terras nórdicas
Vidas, passeios, sussurros
No fio fino do meu peito
Ao calar da noite calma
Artistas desenhando as mesas redondas
Acalmando os passos entre os dedos
A embriagar-se do mesmo
A criança calma
Chorava calma
Enquanto fazia um desenho
Entre as vidas
Sou mais do que alegria
Sou mais do que meu segredos
A vida me pede um trocado
Na esquina onde não tenho
E então passo a dever
WallMushu
A me abrir as portas celestiais
De madeiras de cheiro
Talvez fosseo abraço do meu fim
No desabrochar de um apocalipse
Não sei
Sonhei que haviam salas desertas
Em um prédio velho
Dos meus dramas em sonetos
Hoje senti dores
Entre a hermeneutica e o latim
Caladas ao fim da ceia
Que me haverá no amanhã?
Este medo me corróia a veias
Até os meus menores becos
Tudo o que não sei
Corre no meu sangue
Como feitiçaria nas terras nórdicas
Vidas, passeios, sussurros
No fio fino do meu peito
Ao calar da noite calma
Artistas desenhando as mesas redondas
Acalmando os passos entre os dedos
A embriagar-se do mesmo
A criança calma
Chorava calma
Enquanto fazia um desenho
Entre as vidas
Sou mais do que alegria
Sou mais do que meu segredos
A vida me pede um trocado
Na esquina onde não tenho
E então passo a dever
WallMushu
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Alegria em perolas e sal
O que pulsam em tuas veias
Claro coração do oriente?
Pássaro canoro de fogo
Dentro do deserto a noite
Beijado Adão no ato de sua morte
Descansado corpo, o primeiro homem
O mundo como herança
Vede-me vestido em sanscrito
Com olhos de hierogrifos
A esfinge desconhecida
Temeu decifrar o que não podia
Mão de água doce batendo o rosto
Visão de fogo do sol que queima
A terra batida
Moeda de tostão e honra
Lavada em sangue e parafina
Em noite de lua vermelha
Chorosa de maré cheia
Com perfumes de carvalho
Plantado em promessa e acordo
De nome e sobrenome
Rosa verde de dentes
Entre ervas de cristal e quartzo
Guardam lagrimas secas
Ocultas em lenço azul
De orbital aurora
Banhada em chuva e sereno
Deitada em relicários
Consagradas em gramínea verde
Em água de cheiro e morte
Amarradas em tranças brancas
E barbas envelhecidas em vinho novo
Dormido em odre de barro malhado
Modelado em dor e angústia
Cinzas da guerra santa
Claro coração do oriente?
Pássaro canoro de fogo
Dentro do deserto a noite
Beijado Adão no ato de sua morte
Descansado corpo, o primeiro homem
O mundo como herança
Vede-me vestido em sanscrito
Com olhos de hierogrifos
A esfinge desconhecida
Temeu decifrar o que não podia
Mão de água doce batendo o rosto
Visão de fogo do sol que queima
A terra batida
Moeda de tostão e honra
Lavada em sangue e parafina
Em noite de lua vermelha
Chorosa de maré cheia
Com perfumes de carvalho
Plantado em promessa e acordo
De nome e sobrenome
Rosa verde de dentes
Entre ervas de cristal e quartzo
Guardam lagrimas secas
Ocultas em lenço azul
De orbital aurora
Banhada em chuva e sereno
Deitada em relicários
Consagradas em gramínea verde
Em água de cheiro e morte
Amarradas em tranças brancas
E barbas envelhecidas em vinho novo
Dormido em odre de barro malhado
Modelado em dor e angústia
Cinzas da guerra santa
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Eletricidade estática
Deixarei vocês irem de encontro aos mortos
E eu ficarei
Com livros grossos de alquimias e encantos
E mártires que morreram novos
Eu ficarei
Com densas estrelas cadentes rodeadas de balaios
Bordados de rosas silvestres e de orvalho amargo
Cadente água do rio em direção ao horizonte do sol
Eu ficarei
Com a ânsia do retorno não prometido ainda que esperado
Com uma leve fermentação de horas em carvalho envelhecido
Com a minha palavra acidulante e recatada em cantos de sala
Eu ficarei
Num auditório de quinhentas pessoas que aguardam
Pelo desfecho do ultimo ato
Abanando o calor escorrido e seco na garganta
Eu ficarei
Lamentando alegre a necessidade do fim
Tão enraizada na mais fina veia da minha alma
Como se eu desejasse dormir antes do sono
Eu ficarei
Com uma certeza de exclamação pesada
Como uma decisão que não revogo nem sob a jura
Nem com o verso do que escrevo
WallMushu
E eu ficarei
Com livros grossos de alquimias e encantos
E mártires que morreram novos
Eu ficarei
Com densas estrelas cadentes rodeadas de balaios
Bordados de rosas silvestres e de orvalho amargo
Cadente água do rio em direção ao horizonte do sol
Eu ficarei
Com a ânsia do retorno não prometido ainda que esperado
Com uma leve fermentação de horas em carvalho envelhecido
Com a minha palavra acidulante e recatada em cantos de sala
Eu ficarei
Num auditório de quinhentas pessoas que aguardam
Pelo desfecho do ultimo ato
Abanando o calor escorrido e seco na garganta
Eu ficarei
Lamentando alegre a necessidade do fim
Tão enraizada na mais fina veia da minha alma
Como se eu desejasse dormir antes do sono
Eu ficarei
Com uma certeza de exclamação pesada
Como uma decisão que não revogo nem sob a jura
Nem com o verso do que escrevo
WallMushu
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