terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Poesia de ultima hora

Usando as letras
E as cabeceiras
Não pergunte de onde sai o meu amor
Porque é besteira

Não me pergunte do perfume
Das rosas que eu sinto na beira
Da praia da tua lágrima sincera
Vendo o segundo sol da areia

Não pergunte da frieza
Do mundo que não é brincadeira
Isso são águas não passadas
Que arrastam correntes as noite inteira

Não me pergunte da outra vida
Que só espera na outra beira
Inconsciente nas mãos umidas
Da lavadeira

Não me pergunte meu coração
De criança em baixo da cama
Eu tenho medo de tudo
Você é minha santa guerreira

Não me pergunte os mistérios
As charadas os remédios
Que vão na veia


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Palavras entre palavras

Palavras semi-contidas de uma noite clara
Invertebradas e também desconhecidas
Vende o íntimo de todas as cartas
E cruzam as romarias
Guerreiam santa a guerra das cruzadas
E disfarçam as linguas malditas
E reatadas

Palavras semi-cortadas de uma calma fria
Límpida e cristalina como água
Gela e sela a sorte sombria
Soturna dos que jogam por nada

Palavras semi-nascidas e rejeitadas
Cinzas, coloridas ou prateadas
Maqueiam as esperanças mortas
Andando perdidas
Orando com o pesar das probres e sombrias
Sombras vazias

Palavras semi-criadas de uma genese imanente e nata
Desertas da noção de vida opaca
Deus já não fala

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Fé com inicial O

Tua falta de fé
Mesmo com os ramos verdes
E este silêncio soturno
Que corre pelas montanhas
De papeis escritos sem sentido
Quando te olhei você me sorriu
No meio dos ecos
Dos vidros espalhados no chão
A minha paz costurada
Com fios de nuvens cinzas
A minha voz deformada
Porque na tua distancia
Calaram-se os signos
Escreveram-se cartas com o tempo
Nas garrafas
E a mim como corpo que anda e fala
Vez um sonho dormido
E de fúria me lembras de que sou pó
Vindo do pó e ido ao pó
Mas tua falta de fé
Apesar dos ramos vedes
Secou as águas da fonte
Mesmo meus olhares admirados
E admensionais
A tua falta de fé criou desertos
A tua falta de fé
Fez escrituras mortas
Em mim que sou teu sangue
Não tens fé
A tua descrença
Secou minhas veias
Mesmo com as pedras do chão talhadas
Tua falta de fé matou a arte
E a transparência
E as minhas mãos invalidas
Cavando na terra
Um triste passado sem lembrança
De colunas caídas
Em nome de guerras santas
Prometida como paz por séculos
O céu imita sonhos acordados
E um sentimento solto
Pelos espaços


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Noite de duas luas

O que aprendi
Tendo as sete vidas
Como os vitrais na basílica
Ancorando nas areias das pátrias
Como terras não descobertas
Cada pessoa numa promessa oferecida
Ousada no altar da santidade
Corrompida com o amor da salvalção
Destilado em paixões
Moças destilando emoções das antigas correntes
Os moços desejam os corpos das moças
Como serpentes nas liras desejam
As mãos do tocador
Crueis e infieis, lágrimas mentidas
A vida desponta
Amor de minhas entranhas, morte viva
Em vão espero tua palavra escrita




As ultimas duas linhas deste poema, peguei emprestado de outro, em dedicação a Federico Garcia Lorca, um dos maiores poetas que tomei conhecimento.

O Barlô

O Barlô pensava que era gente, quando nem gente era.
A utopia era quem era Barlô, e pensava como um grito na noite na sua seresta.
A comum vida era de todo sacrificada com um emprego que nada valia, nada na vida parecia para Barlô ter motivo. A dura paisagem de pedra florescia branca com a luz na janela, eu penso que Barlô era um tanto poeta, e um tanto vagabundo também.
A crise da existencia se devia ao fato da inconsistência das coisas em terem nomes, o nome da um sentido ou forma? Como dar forma e sentido ao que já tem forma e sentido.
O olhar de Barlô era uma lente fundo de garrafa que fazia as coisas parecerem esfumaçadas.
Em que momento Deus se tornava três pessoas? Nada nas charadas dava nome as coisas e no entanto eram a maravilha inventada de Deus. Deus não era Deus, era um nome, aquele que era nomeado Deus era.....
Barlô se descobria no fundo fim da natureza das formas nomeadas, ele encontrava Deus além do nome, na concepção da única geratriz unidimensional que criaria onisciente um ser criador de si, Barlô encontrava em Deus a criação de Deus, como inexistência criando a existência através da ausência de sua forma.
Nada de sentido davam a Barlô a maior compreensão do dia em que havia acordado com 10 anos e de súbito se vira no espelho, se deparara com o reflexo que dava forma ao que não era mesmo sendo, havia a forma refletida, mas não havia existência da forma, a imagem somente era um aparente exemplar do que já existia, apenas como visão, uma fusão como fragmento dos olhos, uma visão criada da visão, vejo que é, e que não esta.
A razão lógica das coisas não tinha lógica para Barlô, a resposta era a primaria ilusão da verdade mais funda, uma verdade que não tinha resposta, somente era a verdade.

Comumente

É verdade
Aconteceu de repente
De todos os lados
Com todos os olhos comentados
A risca do meu acaso

É verdade
É realidade
Como nunca visto
A minha cara tão palida

É um dia
Mal tirado
Em fotografia

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Ode ao salvador

Este novo traço
Com que tanto me encantei
De tantas formas
Nas dunas de areia
Repeti este rosto, e cantei poemas
Este, que novamente se pos
A minha frente
Dentre tantas pessoas nas ruas
Eu chorei tua morte crua
Insensível e covarde
Nada fizeram e nada
Voltará o passado, nem tua vida
Me perdoa pois não nasci a tempo
De te salvar, nem mesmo salvar a outros
Agora vivemos a guerra oculta
Nos sussurros e nos canto escuros
Quem vai te perdoar
Na loucura pelo dinheiro
Na traição que fizeste
Onde terás paz no teu repousar eterno
Bom companheiro
Quem te dará o perdão eterno
Se eu sei teu segredo
Depois de tua morte
Gênio, mas ainda sim,humano
E fraco
Mesmo teus olhos inocentes
Não te perdoam
Mas pela noite caminhamos
Perdidos nos ponteiros
Dos teus bigodes nus
Da tua palavras tremula
Minha infancia tão escassa
Não foi pequena
Nem pelas traduções
Tua fama hedionda te foi cruz
E não foi pouca
Paga teu erros
Na morte de quem foi tão algoz
Apoiador durante as noites
Nas tabernas
Triste a casa cinza
De agora a antes
Nada mais de fluir os ventos
Nem cantar as noites nem a lua
Já perdeu a graça
As risadas de adolecência
Já passou, hoje é lembrança
Tudo se foi
Sobrou aqui a criança sarcastica
Mentindo de viver a vida de infancia
Sem lagrima