És meu rosto partido
Augusta lira dos meus sonhos
A me levar pelas estradas e esquinas
Dizendo ser meu pai
Teu rosto ofuscava-me de realidade
Realidade secreta das sacristias
Ofuscava-me teu semblante de pomba
Tirava-me o ar como os vitrais
Disseste ser meu pai e me levaste pelo mundo
Com tuas histórias esguias coroaste pulsar
Como átomo em colisão de testes
Sentia-me expandir sem flutuar
No entanto tornaste fumaça aos meus olhos
Ao abrir do novo dia
Vai com Deus vulto conhecido
Volta pra tua terra natal
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
Promessas de ano novo
Vamos exumar o Papa
Explodir a Samaria
Vamos restaurar o templo
Antes do terceiro dia
Descerá sobre a montanha
Prometido em outras eras
Dentre todos os profetas
O maior recém chegado
Vamos exumar o Papa
E os concílios do passado
Vamos detonar ogivas
Sobre o ósculo sagrado
Não mais haverá batismos
Deus está do nosso lado
Vamos repartir o mundo
Com a força de um soldado
Nunca é demais
Repetir antigas promessas
Pra perder todo o sono
Nós de outros limites mundiais
Vamos recobrar a consciência
Com novos gestos literais
Quem sabe o fim de uma guerra
Quem sabe o início da paz
Quem sabe tudo vire uma lenda antiga
Pra não esquecermos mais
Explodir a Samaria
Vamos restaurar o templo
Antes do terceiro dia
Descerá sobre a montanha
Prometido em outras eras
Dentre todos os profetas
O maior recém chegado
Vamos exumar o Papa
E os concílios do passado
Vamos detonar ogivas
Sobre o ósculo sagrado
Não mais haverá batismos
Deus está do nosso lado
Vamos repartir o mundo
Com a força de um soldado
Nunca é demais
Repetir antigas promessas
Pra perder todo o sono
Nós de outros limites mundiais
Vamos recobrar a consciência
Com novos gestos literais
Quem sabe o fim de uma guerra
Quem sabe o início da paz
Quem sabe tudo vire uma lenda antiga
Pra não esquecermos mais
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
Almoço
Eu olho para o horário tentando de alguma forma costurar um pedaço de ignorância, como se na verdade eu passasse toda minha vida exilado do tempo comum de todos, em vão eu tinha aprendido a ler quando na verdade eu procurava apenas cores vibrantes em um mundo aparentemente encharcado de suas fusões e tonalidades.
Com algum esforço estou escrevendo como se andasse para trás no tempo, quem sabe até o dia anterior quando finalmente me deitei para acreditar que dormiria de um descanso prometido e merecido depois do esquadro do sol.
Chove hoje, então não poderei culpar a chuva que implorei no dia anterior, meu sono se torna meu advogado contra tudo o que intensifica meus passos rumo ao delírio.
Alguém poderia manifestar misericórdia, uma misericórdia tão falsa e maliciosa quanto a minha escrita?
Talvez apenas eu mesmo possa ser misericordioso na tentativa vã de encontrar sentido quando na verdade, apenas sei que estou andando pelo tempo sem contudo toca-lo, e esta é a única forma cifrada que aqueles que usam a palavra encontram como forma de estar no mundo se, no entanto, absorve-lo de seu ritmo.
Pela escrita finalmente encontro-me aparte de tudo, movimentando-me como um planeta independente do astro maior, fujo ao menos do meu temor de esquecer-me que ainda posso isso.
Com algum esforço estou escrevendo como se andasse para trás no tempo, quem sabe até o dia anterior quando finalmente me deitei para acreditar que dormiria de um descanso prometido e merecido depois do esquadro do sol.
Chove hoje, então não poderei culpar a chuva que implorei no dia anterior, meu sono se torna meu advogado contra tudo o que intensifica meus passos rumo ao delírio.
Alguém poderia manifestar misericórdia, uma misericórdia tão falsa e maliciosa quanto a minha escrita?
Talvez apenas eu mesmo possa ser misericordioso na tentativa vã de encontrar sentido quando na verdade, apenas sei que estou andando pelo tempo sem contudo toca-lo, e esta é a única forma cifrada que aqueles que usam a palavra encontram como forma de estar no mundo se, no entanto, absorve-lo de seu ritmo.
Pela escrita finalmente encontro-me aparte de tudo, movimentando-me como um planeta independente do astro maior, fujo ao menos do meu temor de esquecer-me que ainda posso isso.
A carta
Irei queimar estes escritos de areia
Antes que a porta seja arrombada
E eu seja levado diante de um sinédrio
Repleto de todos os sábios para me confessar
Estou olhando o caminhar das estrelas
Apontando o sol entre as horas abertas
Irei queimar estes escritos de areias
E as respostas serão desertas
Ainda elegerão outro papa
Como nas eras apostólicas
Faremos vigílias e sacramentos
Em favor dos pecados veniais
Nas portas receberemos o estranho viajante
E suas notícias de ultima hora
Começaremos um ano bissexto
Novamente no fim do carnaval
As manchetes não são animadoras
Mas otimismo nunca foi mortal
Eu quero todo bem, eu quero todo mal
Para poder me elevar
Nas meditações de antimatéria
E na criptografia mental
Eu quero todo bem, eu quero todo mal
Em favor dos pecados veniais
Enquanto ainda saímos do mundo animal
Rumo aos universos celestiais
Quem sabe eu possa economizar palavras
Para parecermos mais cordiais
Estamos no dia 8, do mês de Janeiro
E ainda tudo meio parado
Não me recuperei ainda do natal
E já estou todo ocupado
Este ano promete ser melhor
Se piorar está tudo acabado
Tenho até medo da minha velhice
Quando não for mais condecorado
O grande pássaro traz uma mensagem nova
Que ecoou nos sistemas solares
Aliás teremos uma nova luz
Um novo ser espiritual
Ainda tenho fé neste ano bissexto
E estas palavras são temporais
Para terminar recebi uma carta
Com sentimentos em tom pastel
Recitei seu conteúdo no vento forte
Enquanto caia a chuva torrencial
Imortais neolíticos recém chegados
Eu quero todo bem, e todo mal
Antes que a porta seja arrombada
E eu seja levado diante de um sinédrio
Repleto de todos os sábios para me confessar
Estou olhando o caminhar das estrelas
Apontando o sol entre as horas abertas
Irei queimar estes escritos de areias
E as respostas serão desertas
Ainda elegerão outro papa
Como nas eras apostólicas
Faremos vigílias e sacramentos
Em favor dos pecados veniais
Nas portas receberemos o estranho viajante
E suas notícias de ultima hora
Começaremos um ano bissexto
Novamente no fim do carnaval
As manchetes não são animadoras
Mas otimismo nunca foi mortal
Eu quero todo bem, eu quero todo mal
Para poder me elevar
Nas meditações de antimatéria
E na criptografia mental
Eu quero todo bem, eu quero todo mal
Em favor dos pecados veniais
Enquanto ainda saímos do mundo animal
Rumo aos universos celestiais
Quem sabe eu possa economizar palavras
Para parecermos mais cordiais
Estamos no dia 8, do mês de Janeiro
E ainda tudo meio parado
Não me recuperei ainda do natal
E já estou todo ocupado
Este ano promete ser melhor
Se piorar está tudo acabado
Tenho até medo da minha velhice
Quando não for mais condecorado
O grande pássaro traz uma mensagem nova
Que ecoou nos sistemas solares
Aliás teremos uma nova luz
Um novo ser espiritual
Ainda tenho fé neste ano bissexto
E estas palavras são temporais
Para terminar recebi uma carta
Com sentimentos em tom pastel
Recitei seu conteúdo no vento forte
Enquanto caia a chuva torrencial
Imortais neolíticos recém chegados
Eu quero todo bem, e todo mal
Melodia das nações
Temos uma surpesa
Vamos armá-lo pra matar
A noite é uma criança acesa
Você vai se encontrar
Vamos negociar um preço
E com prazer vamos pagar
Com acordos milionários
Você vai se encantar
Soaram a trombeta
Um dos selos foi quebrado
Do horizonte vem um anjo
Que não foi anunciado
Detonamos uma bomba
Não foi culpa de ninguém
Temos um discurso pronto
E depois deste mais de cem
Assista a televisão
Então iremos explicar
Sejamos todos patriotas
Se uma guerra começar
Os oráculos da China
Não previram o holocausto
A morte esconde sua face
Nosso Deus está exausto
Não fale de Deus em vão
Nunca nos diga não
Os governos deste mundo
Tem sua vida nas mãos
Procure rezar com fé
Temos que ter união
Todos serão alistados
Somos mais de um milhão
Manchamos suas cores
Derrubamos suas torres
Foram sangue necessário
Mas virão outros horrores
Temos um futuro tão certo
Iremos juntos prosperar
É importante a economia
E os impostos a pagar
Conhecemos seus amores
Conhecemos suas dores
Iremos estender a mãos
Nós iremos te salvar
Os pilares dos céus
Todos foram abalados
Ninguém conhece o grande irmão
Mas todos são vigiados
Faça sua contribuição
Mate todos que puder
Para conter a população
Na ponta de uma colher
Tudo tem uma boa razão
Possuímos a verdade
Pelo bem da humanidade
Muitos vão morrer em vão
A vida eterna
Nunca esteve tão incerta
Ninguém tem pra onde ir
Mas a porta está aberta
Vamos armá-lo pra matar
A noite é uma criança acesa
Você vai se encontrar
Vamos negociar um preço
E com prazer vamos pagar
Com acordos milionários
Você vai se encantar
Soaram a trombeta
Um dos selos foi quebrado
Do horizonte vem um anjo
Que não foi anunciado
Detonamos uma bomba
Não foi culpa de ninguém
Temos um discurso pronto
E depois deste mais de cem
Assista a televisão
Então iremos explicar
Sejamos todos patriotas
Se uma guerra começar
Os oráculos da China
Não previram o holocausto
A morte esconde sua face
Nosso Deus está exausto
Não fale de Deus em vão
Nunca nos diga não
Os governos deste mundo
Tem sua vida nas mãos
Procure rezar com fé
Temos que ter união
Todos serão alistados
Somos mais de um milhão
Manchamos suas cores
Derrubamos suas torres
Foram sangue necessário
Mas virão outros horrores
Temos um futuro tão certo
Iremos juntos prosperar
É importante a economia
E os impostos a pagar
Conhecemos seus amores
Conhecemos suas dores
Iremos estender a mãos
Nós iremos te salvar
Os pilares dos céus
Todos foram abalados
Ninguém conhece o grande irmão
Mas todos são vigiados
Faça sua contribuição
Mate todos que puder
Para conter a população
Na ponta de uma colher
Tudo tem uma boa razão
Possuímos a verdade
Pelo bem da humanidade
Muitos vão morrer em vão
A vida eterna
Nunca esteve tão incerta
Ninguém tem pra onde ir
Mas a porta está aberta
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
Meus confetes de carnaval
Com certeza você voltará para me buscar
E não me abandonar fantasiado no meio da luz
Você irá voltar antes da lua derreter
Antes do sol esfriar
Olhei com atenção decorada de músicas
As mascaras dos foliões no grande salão
Enquanto procurava vagas de amor em cada semi rosto
Notei que haviam sombras naquele lugar
Você irá voltar com misericórdia na boca para me ver
Quando eu mesmo não puder te acompanhar
Você tentará dizer Adeus de uma forma alegre
Depois que você se for, tudo se esfumacará
Todo salão contentou-se de um silêncio tímido
Aguardando a próxima música tocar
Procurei janelas de ar urbano como consolo
Mas apenas encontrava quadros das estações anuais
Quando você voltar as portas estarão fechadas
Trancadas com tiras de tranças das roupas desfiadas
Um som abafado será imposto em todos os cantos
Uma marcha tocada bem devagar
No salão havia uma escada e um corrimão
Que dava para um imenso altar
Havia uma capela e imagens de santos
Para simbolizar o fim do carnaval
E não me abandonar fantasiado no meio da luz
Você irá voltar antes da lua derreter
Antes do sol esfriar
Olhei com atenção decorada de músicas
As mascaras dos foliões no grande salão
Enquanto procurava vagas de amor em cada semi rosto
Notei que haviam sombras naquele lugar
Você irá voltar com misericórdia na boca para me ver
Quando eu mesmo não puder te acompanhar
Você tentará dizer Adeus de uma forma alegre
Depois que você se for, tudo se esfumacará
Todo salão contentou-se de um silêncio tímido
Aguardando a próxima música tocar
Procurei janelas de ar urbano como consolo
Mas apenas encontrava quadros das estações anuais
Quando você voltar as portas estarão fechadas
Trancadas com tiras de tranças das roupas desfiadas
Um som abafado será imposto em todos os cantos
Uma marcha tocada bem devagar
No salão havia uma escada e um corrimão
Que dava para um imenso altar
Havia uma capela e imagens de santos
Para simbolizar o fim do carnaval
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
Os postulados da geração do agora
É porque eu bebo demais
É porque eu fumo
É porque eu durmo fora da hora
É porque eu tento a paz
Você nunca está errado, o resto do mundo está
Você é tão esperto, ninguém te passa pra trás
Você é tão bom, você é nota 10
Depois de você todos são iguais
É porque eu não me abro
É porque eu estou disperso
É porque eu sou esquecido
É porque eu não escolho um lado
É porque eu estou errado
É porque eu estou certo
É porque eu tento ajudar
É porque eu estou calado
Suas palavras são equiláteras
Tão perfeitas que dispensam o reino dos céus
O mundo é tão claro pra você, e caótico demais
Você acreditou em um Deus e agora não precisa mais
É porque eu discordei de você
É porque eu não estive perto
É porque eu sou muito calmo
É porque eu falo muito baixo
É porque eu tenho um problema de cabeça
É porque eu sou anormal
É porque eu não ouvi você chamar
É porque eu não achei algo
Nada se compara a sua altura
Tudo mais é insignificante
Fora do seu juízo e entendimento
Todas as coisas são ilegais
Você é o ápice do ser humano
Depois de você nunca haverá outro igual
A humanidade não encontrou seu grande mestre
Porque você é humilde demais
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