quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Enfeites

As vezes eu choro de um amor repetido
Ou do que vai acontecer
Eu mandei uma imagem
E chorei
Quando você cresceu
Vivendo os anos antes de mim nascer
Eu te criei
Amor e bálsamo do meu regaço
Eu te casei
Com as flores cultivadas
Nos jardins passados
Que nesta vida eu comprei
Ainda és estrela
E sempre haverás de ser
Não tema o futuro minha querida
Eu jurei salvar tudo no ultimo minuto
Por mim e por você nesta vida

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Restos de noite


Quando você me perguntar
Porque cumprimento as pessoas sem parar
Notará uma pequena parte de humanidade em mim
Do tamanho cortado de uma agulha
Que odeia falar

Talvez recebamos um telegrama de 50 anos
Talvez jurem ter nos visto na segunda guerra
Talvez troquem nossas idades ou  o nosso lugar geográfico
Quem sabe questionem se realmente  vivemos nesse lugar
Ou quem sabe em outro lugar no espaço

Você pode afirmar com fé que eu seja lunático
Enquanto caminho sorrindo feito bobo pro ar
As vezes eu até mesmo sinto ter morrido mil vezes
Como uma marcha de violino em tom mais rápido
Talvez eu apareça mesmo um tanto pálido
Mas nada que haja de se preocupar

Talvez alguém esqueça meu endereço
Talvez alguém venha me visitar
Talvez eu dê todas as minhas moedas a um necesitado
Talvez eu tenha vivido no antigo Egito
Ou quem sabe tenha vindo do mar

Você pode me parecer um tanto confuso
Ouvindo eu contar de meus pensamentos
Existem vidas que sustento sem mencionar
Entre a noite de um dia e uma madrugada
Falo palavras alegres para ninguém me encontrar
Enquanto tento por alguma alquimia me evaporar

Talvez eu não amarre meus cadarços de cobre
Talvez eu emudeça meus olhos de nevasca
Talvez eu encontre em meu corpo algo do império Inca
Talvez eu seja o calendário de alguém que vai nascer
Você vai saber quando eu decidir contar

Tenho a gratidão como forma de me desculpar
Na verdade eu sinto uma culpa por tudo ser como está
As vezes me sinto um universo sem a vaidade de estar
Contando o tempo de todos com a altivez de um criador
Criador que não soube a si mesmo criar

Talvez o ritmo dos segundo seja uma melodia
Talvez eu veja meu rosto nas poças de ladrilhos bizantinos
Talvez as minhas digitais nunca mai sejam iguais
Talvez eu fuja para uma floresta de espinhos
Talvez me encontrem  nos limites do grande abismo

Você correu correu no mesmo lugar
Tentando me perguntar o porque de tudo
Como se fosse fácil assim resumir todo um mundo
Em duas ou três palavras pra se trocar
Em uma noite de apenas uns grãos de areia

Talvez ainda haja ar nos meus pulmões
Talvez ainda haja tempo pra recordar
Talvez ainda haja tempo para este mundo antes de se acabar
Talvez ainda hajam palavras a se descobrir
Talvez ainda haja alguma coisa que se possa falar

WallMushu

domingo, 6 de setembro de 2015

Adeus ao distante

Não te verei
Sobre minha mesa de estanho
Com suas palavras e erros
Com seus fins de semana em pleno silêncio

Olhei o relógio sem ver as horas
Só pensando em você
Observando seu Adeus
Enquanto me desfazia de meu pedido

Os corvos voaram pelo céu sobre nós
Em asfaltos de sexta feira
A minha morte foi revogada
Pra ouvir o seu adeus

Eu também salvei a tua vida
Só você não percebeu
Eu tirei gesso do meu peito
Quando quase tudo morreu

Os mares devolveram as crianças
Essa dor me doeu
Não sei se você me percebeu
Mas eu estava morto demais

Eu pensei em partir com você
E esquecer a vida que eu vivi
Graças, graças ao bom Deus
Salvados fomos, você e eu

Você nunca irá ler
Eu protegi teu nome por amor
Você não vai saber que fui eu
Que guardei teu nome na minha dor

sábado, 22 de agosto de 2015

O Amanhã


Desejo um amanhã em outra terra
Onde minhas ruínas estejam intactas
Sem manchar meu pálido rosto de gesso novo
Sem cordas ou ventríloquos recém formados

A total habilidade do florescer entre os fios de corte
E a sombra oculta nas nesgas de luz
Natural como a minha cara
Travestida de um dia comum

Eu, prostituta deformação de alguma coisa
Vinda de outros passados, nivelando o coração
Talco exalando um perfume pueril de inocência
Que reveste o pecado de uma santidade passageira

Ao tempo do passo que deixei largado por anos
Não tenha tremor querida
Eu jurei ver as flores de Maio
Por mim e por você nesta vida

Retardo os copos trocados
E troco as palavra nos diálogos
Falando mais rápido
As vezes mesmo sem ser notado

Mesmo o sol nasceu veado
E as orquídeas negras dão o contraste
Da tela que iremos apresentar ao público
Para pagar nosso passado

Haverão outros calendários
E outros finais para o mundo
Haverá outro amor profundo
Vivido em campanários


Minha linguagem é toda decodificada
Não fique em dúvida querida
Eu decorei todos os códigos binários
Por mim e por você nesta vida

Podem ser distâncias de eras medievais
Ou daqui até a esquina
Paramos em algumas vendas
Para uns tragos e uns abraços

As safiras no lustre dependurado
No teto que agora é chão dos nossos dias
Caminhando passos pré marcados
Comparados nos compassos

Ainda não existe verdade
Nas horas e nas minhas rimas
Não verdades recém contadas
Ou verdades recém escondidas

Temos tempo para falar destes traços
Não se preocupe querida
Eu disse que deixaria tudo no lugar
Por mim e por você nesta vida

E as primaveras chegaram secas
Com flores e temas portuários
Rimas como essa criadas a esmo
Sem ter pontos reais entre as entrelinhas

Eu queria não ter aniversário
Ou quem saber ter uma vida
Quem sabe seja uma filosofia destas ocultistas
Ou uma cifra barata destas fransinas

Eu andava contando escadas
Com rituais e cismas
Contava todas as voltas
Para ver se estavam paradas

Eu contava demais como o preso conta os dias
Não preste atenção querida
Eu trarei todas as respostas certas
Por mim e por você nesta vida

Nasci de outras vidas não nascidas
Como se o mundo não comportasse nossas sinas
Como se as gramas não fossem mais verdes
Ou as flores não exalassem mais prata

Eu amo o som dos violinos
Onde se tem notas claras
Notas escuras nas consoantes médias
Com pequenas comédias nas horas clássicas

Eu perco tudo com muita calma
Já rabisquei muros quase com angina
Estaquei nos momentos áureos
De ser pego nas fugas caras

Veja como andam nossos pequenos traços
Veja bem minha querida
Os dias serão mais folgados
Por mim e por vcê nesta vida

Já pensei em perdoar a tua dívida
Mas a vida anda cobrando demais
A gente sobrevive de ser cobrado
E tudo custa mais e mais

O trabalho é dobrado
E a vida uma mesquinharia
O desespero é uma micharia
E o vital custa o que é raro

Eu talvez mude de cidade
Eu talvez mude de estado
Meu coração vai ser cortado
Eu terei uma identidade

Num prato de prata com sal refinado
Não me pergunte querida
Eu explicarei a origem das coisas
Por mim e por você nesta vida

Eu como o que eu posso da vida
Nos termos do meu contrato
Lendo com lentidão todas as linhas
Sem me cortar da bondade de que sou alvo

Eu não sou um anjo hieráritco
Nem tenho nomes cabalísticos
Misticos como os hierofantes
Ou personagens fictícios

Ouro em pó soprado aos prados
Entre as encostas dos mares de início
Príncipes cheios dos seus vícios
Meu corpo todo marcado

Um mundo homogêneo fálico
Tente ter paciência querida
Não vou deixar tudo acabar
Por mim e por você nesta vida

Eu terei outro nome do meu lado
Quem sabe uma outra forma de vida
As vezes distante as vezes do seu lado
Tempo de tempo que se faz a lida

Alimento-me do ar parado
O vento me tira toda a resina
Os pés na areia do mar passado
Me lembram como foi o que já não combina

Até parece uma carta amassada
Destas que se joga sem ler
Até parece um destino trágico
Ou que eu nunca mais vá te ver

Mas nada será mudado
Preste atenção querida
Eu vou mas irei ficar
Por mim e por você nesta vida

WallMushu

sábado, 13 de outubro de 2012

Vertere

Debruçado sobre o penhasco
Ventos de corujas que assaltam
Os vultos correndo na terra seca
Ventilada do meu suor
Ventos de páginas em branco
Perante a pena da minha língua
Sentenciada a escrita
Olhando o relógio nas águas
Dançando como concubinas
Na noite de núpcias
Do ventre o sol Fenício
Trazendo profecias
Como analgésico a insônia
O paraíso ainda perdido
A noite como minhas filhas
Casando-se com o dia
Em minhas mãos de cosmologia
E história contada
Eu venho a tornar
Tudo como um
Tudo inicial

WallMushu
 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Aviel

Pequenas gotas de um faraó
Nobre geração desenganada
Sem ser ou estar
Com crianças sofrendo sem sair do lugar
Comendo antigo o ouro de Ofir
Novas estrelas morrem sem brilhar
No céu de inverno e outono
Estações sem se encontrar
Memórias cozidas
Entrando em contato com o ar

domingo, 16 de setembro de 2012

Rua Rui Barbosa 20 para as cinco



Ela passou por mim pálida, uma palidez que me consolava não sei por quê. Ela ia devagar como o tempo, e em humilde escolha se fez com a sua travessia diante do mar iluminado de sol.
Ela não andava, seguia a consolação com uma criança adormecida nos braços, e outra agarrada ao seu vestido florido, já desbotado pelas suas dores. Falando pelo silêncio suado do seu rosto, um idioma cantado somente pelos que seguem quase a vida toda o caminho da privação até ter seus desejos e suas vontades esmagados pela dura realidade de pedra. A criança, tão nova e já vencida, me deu uma solidariedade de cortar a pele, desejava eu dormir do seu cansaço, eu aceitaria todos os duzentos anos do seu leve rosto abatido, banhado e dourado de seu descanso. Não, eu não encontro pessoas para suportar o peso desta criança, eu não a suportaria, pois a vida me deu muitas coisas e meu suor não possui o conteúdo do sal, o sal que com vergonha eu não podia conter. Sentia da mulher um sorriso de enfim chegar perto do inalcançável, onde enfim se desfazia de sua tímida força e se permitia enfim sofrer. Permitia-se enfim com esperança pois o enfim nunca chegaria até os seus olhos umedecidos pela poeira dos carros que passavam egoístas. Busquei fazer de mim uma promessa de paraíso pobre, pois eu mesmo não sofria com a carne e a redenção, então, não merecia um paraíso para poder cria-lo mesmo que por misericórdia. Estou inconformado como uma criança lutando contra o próprio sono, ela era vista por ela mesma e dava passos altos vindos de uma nobreza caracterizada de quem não tem nada. A mim, fora privada mesmo a privação desta mulher, que agora eu amo e como suas sandálias sustento chorando o seu peso incondicional.
O que era miséria nela? Nada, eu estava esperando indecentemente com minhas sacolas. Meu Deus sou importante! Gritava irritantemente o grão de areia. Minha imensidão estava justamente em não ser nada perante aquela mulher. A outra criança por sua vez se agarrava objetivamente ao seu vestido e dele fazia sua casa e seu exercito, então, ela brincava com os passinhos leves e doloridos avançando como uma guerrilha, um holocausto oferecido ao deus sol. Cada passo era desavergonhadamente puro e imaculado, ela andava sobre a literatura do nordeste e da sua seca com grosseria e vitória extenuadas.
Somente me restou dobrar-me e olhar para de alguma forma sofrer por ela, pois sentia em mim a dívida que tinha com aquela trindade comum, a mulher, a criança pequena e a criança de colo, todos esgotados de serem divinos.
A mim somente restava olhar e orar para que os três fossem ao mesmo tempo um só Deus.

WallMushu