segunda-feira, 26 de março de 2012

Nações do céu da boca

Valores humanos
E a simplicidade de rir
Não batem seus santos

Jornal Nacional

E a mãe que paga crimes
Por um filho

Valores de aluguel

Não pagam o preço
Da vida
Que é vivida todo dia

Dinheiro não paga

As mágoas
E o céu não é mais o limite

Perdoa ou julga

Confia ou fica com pulga
Atrás do coração

Hinos errados

E a traição é a vitória
Dos inocentes
Perante a corte dos leões

Há um grito

Que passa no tempo
Incita a revolta
Mas não traz de volta
O que passamos

Perdoamos

Sempre foi assim
Pra todos nós
Que fomos à voz de uma nação
Bandida, banida, perdida... vendida!!!


WallMushú

As cruzadas


Eu quero um veneno calmo
Saltar de meus olhos num desfiladeiro
Rasgar nos meus braços
As asas brutais do anjo guerreiro
E ocultar a luz do sol
Mágoas do anjo negro
Quem dera rever o universo outra vez
E outras vezes
Eu desejo um cálice
Seja o ultimo e o primeiro
Para que eu beba o meu beber
Por inteiro

WallMushu

Ode ao anjo impossível


Oh! Anjo impossível
Eis que sento-me a tua frente
E na cadeira fria e morta
Sentencia-me ao perdão
Julga-me uma vez
E no perfume de tua santidade
Me perdoas três
Sou eu tal fera hedionda
Fugida do mundo assassino
Hediondo meu amor
Imperdoável
Insuportável face de minha verdade
Oculta nas cavernas antigas de outra vida
Inseparável por parte de minha vontade
Grito alto em silencio calado
De mim e de todos

WallMushú

As rosas negras


Eu queria ver a lua
Mais uma vez
E entoar notas altas
Na primeira voz
Ser fiel e julgar
Com perfeita razão
Ser cruel e jogar
Rosas negras no chão
Extremamente mais uma vez

WallMushú

Precipício

Não me jogues as pedras
E nem o amor que não me dou
Afasta de mim o equilíbrio
Desequilibrado de todos nós
Não quero ver
Os horizontes da tua voz
Hoje não quero pensar
Não quero ser
Nem estar



WallMushu

Ao vivo

Ameaçados os toques
Tocar o mundo
Voraz o vidro dos olhos
Sem um fundo
Beijar, a vida que se apresenta como nova
Tendo a doce paciência de espera
De saber lidar
Num silêncio quase mudo
Lamber, com os ouvidos
O dialeto do mundo
Resumindo tudo ao leve expressar
Da necessidade surda
E de todos tão sofrida
Sem consciência
Como um sonho lúcido
E partir da mesma repetida
Sombra que agora é dia
E partir desse mesmo dia
Para o que se chama vida
Ou dizem ser vida
Sem sentido e sentida
Amarga e amiga
E porta de saída
Para entrada
Nascida a primeira morte
Estéril agora que se desconhece
Trança os fins de fôlego no susto
Ditado da rotina
Herança da vida é a morte
E de rainha que se faz viúva
A moda antiga
Sem culpa, sem ressentimento
E sem consideração
Que se dê ao mortal a sua sina
Essa é a máxima mais prescrita
Nos bem rabiscados manuscritos desta vida
Dos que sabem, hora alívio, hora agonia,
Hora insônia, hora alegria
Hora por hora sempre chega a decisiva
E fim


WallMushú

Abênção do Anjo da morte

Eis que sou eu
O anjo da morte
Como calma fresta de manhã
Pela madeira das portas
Respirando bálsamos ao som dos pregos
Leves gemidos de melodias canoras
Do profundo vazio dos desertos de louça

Eis que sou eu
O anjo da morte
Asa de cera que não aquece
Nem ao menor nem ao grande
Deitados na relva de ventos
Acasos de fim de tarde antes da noite
Romaria pragmática dos sinédrios

Eis que sou eu
O anjo da morte
Candelabro de bronze fosco
De pouca luz e pouco aspecto
Madeira reluzente e escura
Da colcha nobre e de cama branca
Com rendas de neve e grânulos de milagre

Eis que sou eu
O anjo da morte
Máscara de jesso, manto de linho cinéreo
Silêncio nascente e desnaturado das videiras
Nas noites beijadas de inverno
Gélido sussurro frio de sentido
Calando o coração pelo arrepio

Eis que sou eu
O anjo da morte
Cachoeira sonora dos sinos das igrejas
No ensaio da meia noite de velas acesas
Velha cantilena das avós sobre a mesa
Os olhos abertos na madrugada que não dormem
Esperando alguém nunca chega

Eis que sou eu
O anjo da morte
Oração feita de terra e água
Enrolada em um terço no guarda roupas
Velha carta oculta embaixo da cama
Herança nos cofres de aluguel do corpo
Á pulcritude de seus versos



Eis que sou eu
O anjo da morte
A água mais salgada que se bebe
A mão mais gelada em que se toca
O pensamento que se esquece
Esquecida à hora em que se vai
De onde nunca mais se volta

Eis que sou eu
O anjo da morte
Leve sono de harpas e liras
Desde o princípio das coisas
Leve torpor de ébano e esmeraldas
Na vida eu começo
Como fim


WallMushu